Educação a Distância na Educação Presencial!

Já faz algum tempo que tenho refletido juntamente com meu grupo de Pesquisa GP e-du, (que para a minha felicidade congrega além de pesquisadores, também doutorandos, mestrandos, bolsistas de iniciação científica, estagiários, monitores e também alunos de outras universidades que participam em algumas das nossas reuniões de trabalho) sobre conceitos como: educação, distância, presença, … Essas nossas conversas, que ocorrem simultaneamente no espaço presencial físico e no espaço digital virtual (o que facilita a participação de pessoas de diferentes regiões do Brasil e também para além do nosso país) têm sido extremamente instigadoras, justamente pelas contribuições trazidas pelos diferentes sujeitos que participam do GP e-du. Esses colegas de grupo muitas vezes são alunos tanto na modalidade presencial física, quanto na modalidade presencial digital virtual (aqui eu trago dois conceitos: “presença física”  e “presença digital virtual”, sobre os quais podemos discurtir durante as próximas postagens e comentários) e frequentemente comentam sobre como ocorrem os processos de ensino e de aprendizagem em ambos os contextos. Isso tem nos provocado bastante, principalmente porque temos percebido que não é raro encontrarmos “Educação a Distância” na Educação Presencial… e se analisarmos o que acontece muitas vezes em nossas “salas de aula” certamente concordaremos com isso.

Porque eu digo que temos muita “Educação a Distância” na Educação Presencial? Essa distância, que nesse caso leva crase, pois normalmente ela pode ser definida num intervalo de 2 a 20 passos, mais ou menos, (variando conforme o local geográfico que nos encontramos no espaço da “sala de aula” física) marca os nossos contextos educacionais de forma significativa. Essa distância de que falo, está vinculada a falta de “proximidade” entre os sujeitos que compartilham esse espaço físico da “sala de aula”, não falo de proximidade física, isso nós temos… pois, afinal, são somente alguns passos que nos separam, mas a proximidade que refiro aqui é a “proximidade relacional” (outro conceito?) que surge na interação, na relação que estabelecemos, no momento em que entendemos o outro como legítimo outro na interação, ou seja, na convivência, no estar junto em reflexão, em discussão.  Essa “proximidade relacional” pode ser favorecida ou não, dependendo da forma como entendemos e desenvolvemos o processo educacional.

Muitas vezes, as nossas concepções epistemológicas, nos levam a dar um valor excessivo ao conteúdo, trazendo-o para o centro do processo educacional, minimizando, dessa forma, o espaço para a ação e interação dos sujeitos. Dessa forma, limitamos a sua participação, a manifestação da sua autonomia, da sua autoria, a discussão…, a possibilidade que o professor e os demais integrantes do processo teriam de escutar o sujeito para apartir do que ele conhece poder ajudá-lo no seu processo de aprender. A “opção” epistemológica que tem o conteúdo como centro do processo educativo favorece a manutenção da distância entre os sujeitos, ou pela questão do tempo, que é limitado, e, portanto quando é chegado o momento dos questionamentos e da discussão, o perído de aula terminou; ou porque durante a exposição do conteúdo os alunos não “prestaram atenção” (experimente tentar ficar atento a algo, mesmo sendo relacionado ao que você gosta, e anote quanto tempo leva para que a tua mente alcançasse outros vôos) e ai ao final da exposição quando você faz aquela clássica pergunta:  “entenderam?” Surge um silêncio mortal, seguido de uma troca de olhares,… até que alguém, quem sabe, resolva dizer algo, antes que a ciclo seja reiniciado. Mas porque não há questionamentos, perguntas? Se o aluno não compreendeu porque ele não questionou? Muitas vezes, o sujeito nem sequer sabe o que questionar, por onde começar. Faltam muitos elementos para que ele consiga assimilar, acomodar a nova informação, relacionando-a com o conhecimento que possui, atribuir-lhe significado, de forma a adaptá-la, para que efetivamente se constitua numa aprendizagem. Nesse caso, uma maneira de trabalhar os conceitos de forma diferente, quem sabe subsidiado por metodologias problematizadoras, que possibilitam uma mediação pedagógica instigadora; alguns momentos de interação entre os colegas sobre a temática que está sendo trabalhada… tudo isso poderia faciliar, pois os sujeitos teriam a possibilidade de se colocar no processo, de  estabelecer relações entre o que conhecem e o que os demais colegas conhecem sobre a temática, num processo de “intermediação pedagógica múltipla” (conceito apresentado por OKADA, 2007). Toda essa “dinâmica” poderia fornecer elementos para ajudar aqueles que no contexto anterior, tiveram problemas em compreender a exposição realizada pelo professor. Vejam bem que não estou negando a importância do conteúdo, somente estou problematizando o local que eles ocupam, nos diferentes contextos educacionais, independente de utilizarem ou não algum tipo de tecnologia digital virtual – TDV.

Observem que até o momento não falei em nenhum tipo específico de TDV, somente realizei algumas reflexões sobre o que ocorre em muitas situações na educação presencial físico. Fiz isso, justamente para problematizar o conceito de distância e, apartir disso  instigar a discussão.

Vamos refletir mais um pouco… agora sobre as tecnologias digitais virtuais e sobre a forma como são utilizadas em contextos educacionais? Se essa visão de educação for utilizada num contexto tecnológico digital, teremos os mesmos problemas que hoje temos na educação presencial físico, ou seja, o problema da distância, mas não estou falando da “distância física” que separa geograficamente os sujeitos que participam desse processo, mas sim, continuo falando da distância vinculada a falta de “proximidade relacional”, provocada pelo distânciamento entre os sujeitos, distanciamento no sentido da falta de interação, do estar junto em reflexão, em discussão, da não efetivação de um espaço de convivência, o que vai continuar a existir, pois estaremos transferindo um modelo que já se mostra ineficiente para um outro meio, que nesse caso é o digital virtual. Então meus amigos, temos ou não EaD na educação presencial físico?

E, nesse caso, essa distância de que falamos, pode ocorrer tanto em processos formativos e de capacitação realizados na modalidade presencial física, quanto os realizados na modalidade, até então denominada, EaD, pois ela não se vincula ao meio, mas sim as concepções epistemológicas que perpassam a nossa ação educativa.

Em preparação para a continuidade da nossa discussão sugiro a leitura de um artigo apresentado no CIAED, em Fortaleza, produzido por duas integrantes do GP e-du: Luciana Backes e Daiana Trein.

A Biologia do Amor para uma Educação sem Distâncias

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